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Ser diferente é a vantagem

September 26th, 2007 |3 Comentários | Postado em Uncategorized

Algumas coisas são realmente estranhas. Temos um sistema operacional livre, na verdade temos vários, mas um deles tem seu nome divulgado em jornais e notícias ao redor do mundo todo a cada dia. Mesmo aquele caderno de informática mequetrefe do jornal mais vendido capaz de proezas tais quais classificar a memória RAM como “capacidade de armazenamento” já falou de Linux. Alguns até de GNU/Linux. Outros já foram tão longe que já descobriram a existência dos BSDs e disseram aos quatro ventos que existe algo de graça na praça. Tão longe que até já mencionaram que existe algo livre e até tentaram explicar porque essas coisas são livres.

Minha vizinha, que sequer sabe o que é um compilador usa o Firefox, sobre o Windows é verdade, mas o faz por achar que é mais seguro que usar Explorer. Sua colega de apartamento atestou a escolha ao ver o notebook da positivo ser bombardeado por vírus e trojans ao navegar usando o Internet Explorer 7, que deveria ser mais seguro que o 6. Se foi o ovo ou a galinha o primeiro a aparecer, não sei. Tão pouco se o usuário de Firefox está acima da média e por isso navega de forma mais segura ou está mais seguro pelo navegador que escolheu.

Ainda assim quantos, dentre todos os usuários que ligam seus computadores todos os dias, sabem dessas coisas? Um amigo meu, usuário de Windows XP, passou por um problema engraçado. Com uma máquina da HP e placa de captura de TV ele viu o Windows sucumbir durante o cada boot graças ao driver da web cam que ele adquiriu para usar com o Skype. Quando fala-se das vantagens do Windows sobre o Linux sempre cita-se a abundância de drivers como uma vantagem. Afinal aquela placa ou dispositivo USB funciona ou não com o Linux? A pesquisa de compatibilidade de hardware do BR-Linux tenta ajudar. Mas será que aquele dispositivo também funciona com o Windows? Para meu amigo a restauração do sistema foi a salvação e a escolha definitiva entre ter um ou outro dispositivo instalado. A solução foi a mesma que seria para o Linux: escolher outra marca/modelo e tentar novamente.

Outra coisa que é muito comentada, essa até por Steve Balmer em certo momento, é sobre a integração fantástica das soluções da Microsoft. Grande vantagem sobre o software livre, uma colcha de retalhos, a integração faz com que o software da Microsoft funcione melhor. Tome por exemplo o pacote MS Office, que em sua versão 2003 eu conheço bem. A função “Localizar” pode ser acessada pela tecla F4 no Outlook, por CTRL+L no Excel, Word, Powerpoint, por CTRL+F no Internet Explorer 6 e por Win+F no próprio Windows. Bem, 4 formas diferentes de acessar a mesma função em softwares da mesma empresa é um belo exemplo de integração. Melhor que isso, a função condicional IF, tão conhecida de programadores e afins no mundo todo, é SE no Excel e Seimed no Access, ambos na versão 2003. Outro grande exemplo de integração, funções semelhantes com nomes diferentes. Exemplos não faltam para mostrar que o software da Microsoft sofre das mesmas esquizofrenias que softwares livres de desenvolvedores distintos. Talvez porque a Microsoft tenha, ao longo dos anos, comprado softwares e empresas para aumentar seu portfolio de produtos e suas equipes de desenvolvimento estivessem ocupadas demais com menus transparentes para sincronizar os atalhos.

Mas o estranho mesmo é que, ao longo do tempo, software livre e software não-livre estão se aproximando. Não existe mais o abismo antes testemunhado. As novas versões de KDE e Gnome apresentam efeitos gráficos avançados, tridimensionais, e estão mais pesadas pelo excesso de artifícios visuais. Da mesma forma que a interface Aero do Vista, KDE e Gnome têm avançado de forma tímida na usabilidade. Sejamos francos, KDE e Gnome buscam seguir os passos de outras interfaces na esperança de agradar o usuário médio. Não é certo e nem errado fazer isso. Mas eu já comentei várias vezes no passado que talvez a grande façanha do software livre seja ser diferente. E que qualquer busca pela semelhança possa ser um passo na direção errada. A Microsoft não esconde que luta para aproximar o Windows do UNIX em diversos aspectos. Em contraparte o Linux busca afastar-se do UNIX em muitos pontos.

O Firefox sempre buscou copiar alguém, na maior parte das vezes o alvo foi o Opera. De fato ele é original em poucas coisas. Na versão 3 o Firefox irá enviar ao Google cada URL que você digite em sua caixa de busca sob o pretexto de verificar se é um site de phishing. Mal posso imaginar que tipo de vantagem dá ao Google a visão sobre todas as URLs visitadas e pelo tempo que permanecem nelas um certo grupo de usuários (que é cada vez maior). Se serve de consolo essa opção é desligada em seu padrão. Não serve muito a mim pois eu esperava ver esse tipo de coisa no Internet Explorer, que já envia à Microsoft cada URL incorreta que você digita ao buscar por ela como palavras chave na Windows Live Search. Mas da Mozilla Foundation? Bem, as coisas mudam.

A IBM recompilou o OpenOffice que tem todos os seus destinos traçados pela Sun, não pela comunidade, com o nome da Lotus e tem seu próprio pacote de escritório. Rivalizando com o OpenOffice não acredito que este novo pacote, chamado Symphony, traga grandes avanços para a comunidade de usuários. Ao menos não tão grandes quanto para a IBM, que planeja ressucitar o nome da Lotus na produtividade do escritório. Qual o mérito, ou vantagem prática para nós, existe na escolha entre OpenOffice e Symphony se ambos usam a mesma base de código? Será a IBM uma déspota melhor e dará ao pacote livre que eu usarei destinos melhores que a Sun?

Não admira o kernel Linux ter cada vez menos desenvolvedores ativos. Conta com apenas 854 colaboradores na versão 2.6.23 dos quais 350 contribuíram com apenas um changeset. Alguns reclamam da dificuldade em mudar os rumos das coisas e de contribuir de verdade. Estranho que hoje, quando algumas empresas investem pesado no desenvolvimento do kernel, o número de desenvolvedores esteja diminuindo em vez de aumentar. Os programadores mais renomados tem seus salários pagos por grandes empresas e em lugar de uma fila enorme deles buscando essas oportunidades o número de colaboradores têm caído a cada release.

É claro que as empresas estão nessa por dinheiro e vão agir sempre da forma que mais acrescenda dólares aos seus balanços trimestrais. Mas talvez estejamos vendo os negócios matarem as galinhas que nos entregam ovos. Os grandes softwares livres podem estar aproximando-se dos concorrentes mantidos pela Microsoft apenas nos aspectos negativos. Versões distintas de um mesmo software que não apresentam grandes diferenças. Uso indevido de informações pessoais. Grande preocupação com características de importância discutível. Burocracia e inflexibilidade na estrutura de desenvolvimento que afasta a criatividade.

Certas coisas são engraçadas. Talvez o caos fosse o caminho mais lógico para mantermos as coisas em ordem para que continuem progredindo de verdade. A Apple é uma grande lição para isso, do que não se deve fazer. Para a Apple “pensar diferente” é fazer igual, o mesmo hardware, a mesma luta por direitos autorais, patentes e controle sobre o produto que o cliente compra e leva para casa. Precisamos escapar disso e lembrar de nossas origens. Aqui, ser diferente é uma vantagem e não um demérito.

Esse texto foi escrito pelo Fábio Luiz. Ótimo texto, por sinal. Parabéns. Mostra um ângulo que eu ainda não tinha visto.

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Grandr: applet do Gnome para mudar a resolução da tela

September 26th, 2007 |Sem comentários | Postado em Linux, archlinux

Estava procurando um aplicativo para o Gnome que me permitisse mudar a resolução e orientação da tela mais rapidamente (preciso fazer isso quando quero assistir meus seriados na TV) e encontrei o grandr, que faz exatamente esse tipo de coisa.

Aproveitei que o aplicativo me foi útil e criei um pacote para o Arch que já está disponível no AUR. Se preferir você pode baixá-lo diretamente daqui.

Para instalar é só fazer:

# pacman -U grandr-applet-0.3-2-i686.pkg.tar.gz

No site do projeto você pode encontrar, além do source, pacotes prontos para o Ubuntu e Fedora.

[tags]grandr, applet, gnome, archlinux[/tags]

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É menino!!!

September 23rd, 2007 |7 Comentários | Postado em Pessoal

Pois é, mais UM geek está a caminho. Minha namorada fez uma ultrasom nesta sexta-feira e descobriu que teremos um menino. Apesar de eu ter sonhado e me preparado para uma menina, eu fiquei super feliz com o resultado. :D

Eu estava presente durante a ultrasom (claro!!) e posso dizer uma coisa: é extremamente emocionante ver aquela coisa pequena e meio deformada se mechendo na barriga. É tudo muito mais nítido do que eu pensava e dá para perceber vários detalhes. Pelo que eu vi Ian (esse vai ser o nome dele) vai ter um nariz e um pinto grande. hahaha

Assim que der eu posto algumas fotos. ;)

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II Encontro Nordestino de Software Livre chegando

September 21st, 2007 |5 Comentários | Postado em Linux, archlinux

II ENSL / I LIVRE-SE

Faltam sete dias para o II Encontro Nordestino de Software Livre. O encontro acontecerá aqui em Aracaju-SE entre 28 e 30 de setembro.

A grade já está praticamente fechada e pode ser encontrada aqui. Pelo que vi vai ter muita palestra interessante. Durante o evento vão acontecer, também, o Encontro Nordestino de Usuários do Ubuntu, I Encontro Nordestino de usuários Debian e o IV Fórum Gnome. Minha expectativa está altíssima. :)

Ah! Se você planeja vir para o evento entre em contato comigo para a gente marcar uma super cachaçada e trocar muita idéia. Se não planeja, meus pêsames. :P

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Arch Linux: uma distro otimizada para i686

September 19th, 2007 |9 Comentários | Postado em Linux, archlinux


Já sou usuário fiel do Arch Linux a cerca de um ano e estou bastante satisfeito. Já traduzi e escrevi diversas documentações, mas nunca uma falando sobre a distribuição em si. Por isso resolvi criar esse bê-a-bá do Arch, mostrando como ele surgiu, características e outras coisas mais. Vamos lá. :-)

O Arch foi criado em 2001 por Judd Vinet e desde então vem crescendo bastante. É uma distribuição rápida, leve, elegante e bastante flexível. No Brasil ainda é uma distro pouco conhecida e usada.

Judd Vinet

Seus pacotes são otimizados para i686, o que significa que o Arch só roda em processadores mais atuais que o Pentium II. Graças a essa otimização o desempenho do Arch é superior ao da maioria das distribuições (que usam pacotes para i386).

Esses pacotes são, geralmente, as versão mais atuais dos softwares. Uma atualização destes não demora muito para entrar nos repositórios oficiais. Demora muito menos que a maioria das distribuições, para falar a verdade.

O gerenciamento de pacotes é feito pelo pacman, que é capaz de resolver dependências e trabalha com um formato binário de pacotes. Além disso, o pacman permite que os pacotes sejam facilmente customizados pelos usuários.

O Arch conta também com o AUR, um repositório de pacotes alimentado pelos próprios usuários da distribuição. Se um usuário deseja um pacote que ainda não existe nos repositórios oficiais ele pode simplesmente criar um e colocá-lo no AUR.

Um pacote que se encontra no AUR pode ser usado por todos os usuários. Estes podem votar a favor ou contra um pacote, dependendo da qualidade do mesmo. Quando um pacote recebe muitos votos um desenvolvedor do Arch pode adotar esse pacote e colocá-lo nos repositórios oficiais. Isso é ótimo, pois permite que qualquer usuário possa ajudar o desenvolvimento do Arch.

Outra coisa que também é muito legal no Arch é o ABS. Ele é um sistema muito parecido com o ports do BSD e permite que os fontes de um pacote sejam baixados, descompactados, compilados e instalados sistema. Tudo isso automaticamente e de uma forma bastante simples. Ele permite, também, que todo o sistema seja reconstruído utilizando flags específicas para o seu processador.

Oficialmente não existem interfaces gráficas para as ferramentas e a maioria das configurações devem ser feitas na linha de comando, por isso o Arch não é muito recomendado para usuários iniciantes. Hoje já existem algumas interfaces criadas pelos próprios usuários, mas nenhuma foi adotada oficialmente.

O Arch não fornece nenhum suporte oficial, mas existe muita coisa documentada e é possível encontrar ajuda rapidamente em lista de discussão, fórum e no IRC. O problema é que tudo isto se encontra principalmente em inglês e se você não tem afinidade com este idioma isso pode ser um problema. O ArchLinux-BR foi criado para tentar melhorar isso, mas a situação ainda não é muito boa.

Resumindo:

Prós:

  • rápida e leve
  • pacotes otimizados para i686
  • configuração centralizada
  • gerenciamento de pacotes fantástico, capaz de resolver dependências e customizar os pacotes
  • pacotes extremamente atuais
  • repositório criado por e para os usuários da distribuição
  • capacidade de otimizar e reconstruir todos os pacotes do sistema com apenas um comando
  • ótima distribuição para aprendizagem

Contras:

  • não possui muita documentação em nosso idioma
  • precisa de uma boa conexão para aguentar as várias atualizações dos pacotes
  • não possui suporte oficial
  • não possui ferramentas voltadas para os iniciantes
  • por ter sempre as versões mais atuais dos pacotes às vezes ocorrem alguns conflitos (mas isso só aconteceu uma ou duas vezes desde que comecei a usar o Arch)
  • não é muito popular (principalmente aqui no Brasil)

Bem, é isso. Se você quiser conhecer mais o Arch recomendo que visite a página oficial do projeto. Lá você encontrar diversas informações e poderá baixá-lo para testar. Se preferir você pode entrar na página do Arch Linux Brasil ou em contato comigo.

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