Archive for the ‘Pessoal’ Category

Mudando de emprego

Estou saindo do meu emprego depois de quase dois anos ajudando a administrar os servidores e a segurança da Infox e dos seus clientes. Adorava meu trabalho e meus colegas de lá. Vou sentir falta da maioria e, claro, das quinta-feiras de sushi que tínhamos. :)

À partir de agora eu estarei trabalhando no Tribunal de Justiça de Sergipe. Será uma nova fase, com novos desafios, amizades, coisas a aprender e, espero, diversão. Quem me conhece sabe que sou adoro trabalhar e não há nada melhor do que fazer isto se divertindo e com bom humor. Tomara que dê tudo certo.

Why so serius?

Batman The Dark Knight é, de longe, o melhor batman já feito. O filme é sombrio, frenético, com uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente e atuações marcantes. Heath Ledger é O coringa. Ponto. Ele deixa o Jack Nicholson no chinelo e vai demorar muitos anos para alguém o superar (se superar).

Christian Bale, Gary Oldman e Aaron Eckhart (que fez Obrigado por Furmar) também estão fantásticos. O filme é tão bom que as mais de 2h de duração passam muito rápido, o que é uma pena.

Se eu fosse você eu correria para um cinema agora mesmo.

Ah! E sabem como eu ganhei estas cicatrizes? …

Desenvolvedor do Arch Linux! =)

Segunda-feira eu já tinha recebido a notícia, mas somente agora tudo está oficializado: Eu sou o mais novo desenvolvedor oficial do Arch Linux. Isso significa algumas coisas:

  • Meu trabalho no projeto está sendo muito bem reconhecido;
  • Tenho muito mais responsabilidades agora;
  • Posso manter pacotes dos repositórios principais do Arch;
  • Participo das principais decisões;
  • Agora ganho em dólar;

uhu!! \O/

Esta notícia me vez relembrar algumas coisas. Quando comecei a usar o Arch eu nem pensava que iria adorar tanto uma distribuição a ponto de trocar meu velho Slackware por ela, e muito menos que viraria um desenvolvedor da própria. Ainda bem que eu estava enganado.

O Arch tem o que sempre procurei em uma distribuição: poder, estabilidade, velocidade, os softwares mais recentes e, principalmente, uma comunidade super aberta a contribuições (que foi o principal motivo para eu largar o Slack).

Graças a esta abertura da comunidade eu pude contribuir com mais coisas e mais rapidamente. Traduzi, documentei, reportei e ajudei a corrigi bugs, empacotei etc. No final do ano passado eu consegui virar um Trusted User - o reponsável por manter pacotes do [community] e o AUR em ordem -  e nesta semana eu me tornei um desenvolvedor oficial do projeto.

Felizmente eu não fui o único com sangue brasileiro a conseguir isso. O Douglas Soares também está virando um desenvolvedor junto comigo. O cara faz um #$#$ trabalho, foi o criador do Arch Linux Brasil e quem me ajudou a virar um Trusted User. É um prazer e orgulho estar nessa junto com ele.

Tenho algumas idéias em mente para o projeto e devo ter novidades em breve. Antes, porém, preciso me habituar com o novo sistema e testar algumas coisas.

Bem, é isso. Agora vou abrir uma gelada, descansar e durmir com um sorriso estampado na cara. :P

Eu == milhouse?

O Laudeci Oliveira fez uma “homenagem” (?!) a mim super sacana:

Fala a verdade, alguém aí acha que parece tanto assim? Eu já estou começando a ficar com medo de encontrar algum Nelson Muntz por aí.

nelson muntz

Como pretendo educar Ian

Antes mesmo de Ian nascer eu já vinha pensando na melhor maneira de educá-lo. Sem dúvida alguma meus pais são minha grande inspiração e o modelo que quero seguir. Por outro lado, quero fazer certas coisas de um jeito diferente e acho que a educação que pretendo dar não segue os padrões do que a sociedade acha ideal. Ainda bem.  =)

Ultimamente venho pesquisando bastante sobre educação infantil e, coincidentemente, encontrei um post do Leonardo Boiko. O post é ótimo e 90% dele é exatamente como eu pretendo educar meu filho. Fique muito surpreso em encontrar alguém que queira dar uma educação tão parecida quanto a minha e, sinceramente, as palavras dele poderiam ter saído dos meus dedos.

A seguir eu vou colocar tudo que eu concordo com o post dele (entre aspas) e adicionar/retirar algumas partes:

“Nietzsche dizia que, quando pensamos na evolução da humanidade, temos que pensar antes de mais nada para onde queremos que ela evolua. Alas, muitos de nós temos esperanças diferentes para a espécie. Há quem sonhe com um paraíso rural de paz e tranqüilidade, sem dificuldades e sofrimentos. Este objetivo é precisamente o oposto do meu. Eu quero seres humanos grandes; quero gente ambiciosa, com vontade de entender a natureza, explorar o universo e criar grandes obras.

Assim como na questão da evolução da humanidade, na pedagogia também precisamos, antes de qualquer coisa, perguntar: educar as crianças para quê? Alas, muitos de nós temos esperanças diferentes para nossos filhos. Há quem sonhe com crianças obedientes e comportadas, que tragam paz e tranqüilidade para os pais e professores, e que cresçam para se tornar pessoas decentes, honestas, trabalhadores esforçados.

Este objetivo é precisamente o oposto do meu, e se meu filho crescer assim vou me considerar um fracasso como pai. Eu quero filhos fortes e ambiciosos, independentes e criativos, que me digam “não” e questionem os professores, que encontrem seu rumo na vida sem se deixar levar pela opinião dos outros. A educação deve ser subversiva e crítica.

Como eu quero filhos desobedientes e autônomos, e quase todo material dito “educativo” educa para obediência e passividade, esse material é prejudicial para meus objetivos — e o mais prejudicial de todos os ambientes é a Escola.”

Pessoalmente nunca me dei bem com a escola e sempre acreditei que ela não ensinava nada. Eu sempre gaziava aula, contestava professores, estudava de última hora e, mesmo assim, tirava nota mais alta que 95% da minha turma. As leituras que fazia em casa (e que nada tinham a ver com a escola) me ensinavam muito mais. Apesar disso eu quero, sim, que Ian frequente uma pois acho a ela é importante para a socialização (aqui é um dos pontos que discordo do Leonardo), e não para o conhecimento.


“Ao contrário do que dizem, a Escola não é uma instituição de ensino. A Escola é uma creche; daí as faltas e as grades, antitéticas ao aprender. Se a Escola fosse uma instituição de ensino, ela teria turmas muito menores; é impossível ensinar adeqüadamente cinqüenta pessoas ao mesmo tempo.

E se a Escola fosse uma instituição de ensino, ela ensinaria assuntos interessantes.(Note-se como os cursos realmente enriquecedores em universidades decentes tipicamente ignoram as faltas, têm turmas pequenas, e são fascinantes.)

As únicas coisas importantes que se ensinam na Escola são ler e escrever (com isso não quero dizer “gramática”) e matemática básica; ainda assim, ensina-se ordens de magnitude mais lentamente do que um orientador de verdade poderia ensinar. Todo o resto é substituído com vantagens pelo estudo independente, autodidata, de bons livros (jamais “livros didáticos”!) e por atividades fisicamente estimulantes (ensinar biologia no bioma, química no laboratório, história em RPG).

A educação em casa não é apenas muito superior à Escola: a educação na Escola nem mesmo conta como educação, é simplesmente encheção de lingüiça.

Compare-se a maneira que Sócrates ensinava com a maneira que a Escola (des)ensina.Educar em casa é o ideal, mas é muito caro e infelizmente eu não tenho recursos para arcar com isso (pelo menos por enquanto). Vou ser obrigado a buscar uma Escola menos ruim, embora saiba de antemão que é uma busca quixotesca: na nossa sociedade, como Nietzsche previra, a educação se tornou utilitária, empreguista, e é considerada uma “boa” Escola aquela que treina e molda para o modelo vestibular-diploma-casa-carro.

Até onde eu sei, não existe nenhuma Escola fundada no pensamento crítico — as Escolas ensinam as crianças que o conhecimento é um jogo no qual estar certo conta pontos e estar errado não, bem ao contrário do que o aprender realmente é (i.e. saber duvidar e mudar de opinião).Uma criança que não quer fazer o dever de casa é uma criança inteligente. Uma criança que quer faltar aulas é uma criança inteligente. Uma criança que faz tudo o que mandam é uma criança mal-educada.”

Depois do meu pai, “a maior inspiração para meu ideal de pai é o deus cristão. O deus cristão, além de criador, é chamado de pai da humanidade, e por isso os cristãos se chamam irmãos.

Como pai, o deus cristão é possessivo, invejoso, ciumento e arbitrariamente autoritário. Ele ordena que os filhos façam coisas absurdas como matar o próprio filho, e os recompensa por seguirem suas ordens sem questionar; assim, o deus cristão ensina que a responsabilidade moral não cabe ao indivíduo, e existe apenas por imposição dos superiores.

O deus cristão espera que os filhos vivam eternamente como seus subordinados, e taxou aquele que ousou querer ser tão grande quanto o pai — Lúcifer — de vilão e traidor. O deus cristão testa a obediência de seus filhos de maneiras realmente sádicas, como colocar uma árvore no centro do paraíso apenas para mandar aos filhos que não comam dela.Um bom pai é exatamente o oposto do pai cristão.

Seu objetivo último é que os filhos saiam do ninho, que pensem por conta própria, que não precisem mais dele; um bom pai trabalha para ser inútil. Quanto mais cedo os pais se tornarem inúteis, melhor desempenharam seu papel.

O espadachim Musashi dizia: quando você mexer o pé, mexa o pé para cortar o inimigo; quando você erguer a mão, erga a mão para cortar o inimigo. Da mesma forma, tudo o que eu fizer com meu filho manterá em vista o objetivo de me tornar inútil.”

Sobre religião eu concordo com Dawkins, que ensinar religião às crianças constitui abuso infantil. Porém, não dá para simplesmente ensinar as crianças a serem ateístas. Crianças acreditam nos pais porque nos vêem como oniscientes; se ensinarmos para uma criança que deus não existe, ela vai acreditar que deus não existe, ao invés de concluir isso.

É impossível isolar as crianças do pensamento religioso porque, como Freud e Dawkins discutiram exaustivamente, o pensamento infantil é o pensamento religioso. O mundo da criança é governado por seres onipotentes, oniscientes, onipresentes, que dão ordens inescrutáveis e podem trazer tanto recompensas e tesouros quanto punição e sofrimento. Quando sua tia católica explicar o conceito de “pai do céu”, ele fará todo o sentido para uma criança. A idade de se tornar um ateu verdadeiro é a idade em que o filho compreende que o pai não é oni–coisa nenhuma, que é tão falível quanto ele próprio.

O que um pai ateu pode fazer para se precaver? Ensinar história da religião, e religião comparada. Mais de 90% dos religiosos seguem a religião de seus pais e/ou de seu país; ensinar que existe muita gente que pensa diferente é a melhor forma de combater esse bias ambiental. Quando meu filho perguntar a respeito, eu vou explicar que existem pessoas que acreditam em um deus pai, ou em uma deusa mãe, ou em vários deuses e deusas, ou em espíritos, magia etc., ou que não têm certeza de nada; vou pegar um globo e mostrar o território aproximado das principais religiões; vou explicar que muitas dessas pessoas dizem que você vai ser castigado se não acreditar no deus delas, e algumas até decidem nos castigar elas mesmas; e vou contar que muitas pessoas não acreditam em nenhum tipo de deus, e eu sou uma delas.

O importante do ateísmo não é o ateísmo, é o ceticismo; o ateísmo é só a conclusão lógica de se ter pensamento crítico. Por definição, é impossível forçar os outros a pensar criticamente, e portanto o ceticismo não tem convertidos. Mas ele tem inspiradores; eu me lembro de como me senti quando li Sagan pela primeira vez. Não posso forçar minha filha a pescar, mas posso levá-la para o pesque-pague, deixar vara e isca disponíveis, e pescar na sua frente para ela ver como é.

A vida amorosa do meu filho diz respeito a ele e ele vai namorar, beijar e transar com quem ele bem entender. Ele vai ser educado sobre sexo seguro assim que perguntar a respeito, e tenho certeza que sua formação crítica lhe dará capacidade mental mais que suficiente para decidir por si mesmo como e quando se envolver com outras pessoas.”

“Pais são pessoas, e pessoas são imperfeitas. Exercer poder é prazeroso, e eu tenho certeza que, apesar de meus esforços, haverá dias em que vou descarregar minha frustração e raiva em Ian.Quando isso acontecer, vou me esforçar para pedir desculpas e admitir que estava errado assim que esfriar a cabeça. Mais importante, vou conversar sobre por quê minha atitude foi injusta. Como quando a figura do Rei deixou de ser divina, isso a incentivará a julgar as atitudes dos pais através da razão”.

A única educação é educação por exemplo. Se eu quero que meu filho tenha uma vida independente, preciso em primeiro lugar ter uma vida independente; se quero que ele pense nele mesmo, preciso pensar em mim mesmo. Se deixar de viver para garantir conforto material para ele, estarei ensinando que não há problema em vender sua alma por conforto material.

Eu vou incentivar Ian em várias áreas. É certo que eu tenho uma queda enorme por música e, assim que der, irei matriculá-lo em um curso de música. Mas esta não é a única arte que eu pretendo apresentar a ele. Quero mostrar todas possíveis e deixá-lo escolher a que preferir. O incentivo, pelo menos, eu vou dar.

“Crianças não são como obras; elas não nos pertencem, não são feitas por nós, não espelham nossos desejos de como gostaríamos que fossem. Quem quer criar crianças como obras deve ir jogar The Sims, não ter filhos.

Crianças são como plantas.Como jardineiros, podemos regá-las e protegê-las, podemos limpar o caminho para que cresçam para o lado de sua inclinação natural, mas não temos o direito de exigir que rosas sejam margaridas.

O modelo tradicional de educação é como aquele tipo de jardinagem que poda os arbustos, transformando-os em formas geométricas contidas. Acho isso de uma crueldade injustificável, seja com plantas ou com crianças.”